sexta-feira, fevereiro 25

Improper oaths

Jurei não amar,
Não queria sofrer, chorar,
desistir de viver e errar.
Mas a vida decidiu que não seria assim,
Mau coração voltaria a bater por alguém,
E assim aconteceu,
O pobre coração voltou a pulsar,
mais rápido do que jamais foi,
Fazendo reviver um sentimento adormecido,
Talvez escondido, por medo.
Medo de amar, se entregar,
não me deixando viver,
fazendo entristecer.
Dói, como uma ferida exposta que não quer sicatrizar.
Mas esse é o risco,
Do que seria a vida sem alguém para amar ?


The pain of love

Quero encontrar o meu amor,
Ter um sentimento verdadeiro,
Um motivo pra qual viver e morrer
Ser e deixar de ser,
Algo que me complete,
Algo que me faça rir e chorar,
Que acabe com a dor,
A dor que custa passar,
As lágrimas que custam secar,
A solidão que custa me deixar,
Quero ... AMAR .


quinta-feira, janeiro 13

Deeply ...

Estava tudo bem entre nós.
Mas ai você se perdeu em um mar de sorrisos,  sorrisos compartilhados.
Tentou achar-se em mim.
Quis agora, compartilhar teu amor.
 E assim foi.
Duas almas inocentes sonhando com um conto de fadas inexistente.
Nos perdemos.
A separação foi a saída, a desculpa para o fim.
Mas  o ''Grand Finale'' estava por começar.
Há uma vida a sós, a se viver.
Tantos mais amores estarão por vir.
Tantos encontros e desencontros.
Na tentativa de adivinhar o caminho certo, se guiando pelo caminho errado.
Em meio disso tudo, você veio a mim se declarar.
Então toda a história ressurgiu do passado triste.
Um erro ?
Um desejo ?
Decepção.
Com toda a coragem desse mundo e sem nenhuma compaixão, eu te disse ''NÃO''.
Amores vem e vão.
Pudera eu, dar uma nova chance ao amor.
Viver intensamente, me arrepender amargamente.
Minha mente permanece confusa.
Agora os dias são tristes.
A chuva não cessa, insiste em decair sobre mim.
Junto a lágrima que escorre por entre meu coração congelado.
A causa disso tudo ?
O amor !
Ou seria a falta dele ?

[...]

Forever without Heart

terça-feira, janeiro 11

Forget

Estava atrasada.
Havia acabado de sair da faculdade.
Não via a hora de estar em casa. Estava muito cansada.
Sentei-me no ponto a espera de um ônibus.
Não havia muitas pessoas. Uma mulher com uma criança, um senhor  e duas moças.
Todos se espremiam em baixo  do telhado enferrujado do ponto, em busca de um pouco de sombra.
Estava muito sol.
Dali a alguns minutos apareceu mais alguém.
Cabelos até o ombro, crespo e avermelhados. Óculos de sol escuro, batom bem vermelhos destacando os lábios grandes. Usava uma blusa bem colorida, meio larga, saia jeans curta, salto alto e bem fino. Segurava uma bolsa enorme de couro.
Era um travesti.
Assim que chegou, pode-se notar o desconforto das demais pessoas ali presente.
Todos a olhavam-na com desprezo.
A mulher pegou a criança pelo braço e foi para um canto. As moças riam. O senhor nada fez, apenas estava ali.
Ao perceber a reação das pessoas, ela se afastou.
E ficou ali sozinha, cabisbaixa.
Quanta crueldade !
O que têm de mais em uma pessoa ser o que ela é ?
Isso é ridículo, falta de respeito.
Logo o ônibus chegou.
Todo mundo se apressou para entrar.
Ela permaneceu imóvel. Foi a ultima a entrar, logo depois de mim.
Quando subiu no ônibus, se atrapalhou e enroscou a enorme bolsa na porta.
Desci para ajuda-la. Enquanto isso, alguns riam da situação, o motorista buzinava para nos apressarmos.
Consegui soltar a bolsa. Ela agradeceu com um sorriso tímido.
Sentei-me.
Ela ficou de pé. Procurava um lugar vazio.
Sentou-se a minha frente.
Ao longo do caminho iam entrando mais pessoas no ônibus.
Havia pessoas de pé e apenas um lugar vazio ao lado do travesti.
Se recusavam a sentar do lado dela, como se estivesse infectada com uma doença contagiosa.
Observava-a com seus gestos frios.
Mãos inquietas.
Parecia estar nervosa, apreensiva.
No movimento de abrir e fechar as mãos, pude perceber algumas manchas escuras entre os dedos.
Ela esfregava as pontas dos dedos na tentativa de tirá-las.
Talves tivesse se queimado, ou quem sabe até, seria manchas de esmalte.
O celular tocou algumas vezes, ela não o atendeu.
Minutos depois ela abriu a bolsa e começou a vasculhar, como se estivesse procurando algo.
Tirou o celular e o atendeu.
Falava baixinho, parecia mais estar sussurrando.
Poucas palavras se entendia.
Ela desligou. Pôs a mão sobre  o rosto como se fosse chorar.
E foi o que fez. Chorou.
Sem se importar com o que as pessoas poderiam pensar, chorou.
Até mesmo porque as pessoas já estavam pensando.
Não sei por que mas, resolvi levantar, ir até ela e tentar ajudar de alguma forma.
Levantei de onde estava sentada e fui sentar-me ao lado dela.
Não sabia muito bem o que dizer.
Ela tirou os óculos segurou-os nas mãos e enxugou as lágrimas.
-- Precisa de ajuda ? - perguntei olhando-a fixamente.
Ela levantou a cabeça, segurou em minha mãos e disse:
-- Não, não  preciso de ajuda. A humanidade é que precisa -- disse sorrindo.
O ônibus parou.
Ela desceu.